O HOMEM SÓ CONHECE O QUE ACEITA VER

//O HOMEM SÓ CONHECE O QUE ACEITA VER

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O ser humano só conhece o que aceita, o que prova que o conhecimento é um processo conseqüente — mesmo que depois se torne o ponto mais importante de toda a vida psíquica. De certa maneira, podemos afirmar que a vida intelectual depende de nossa aceitação para poder existir — o que é um fator emocional (amoroso) basicamente. Vamos dizer que existe uma verdadeira “multidão” de conhecimentos, esperando pelo reconhecimento (e dentro do próprio psiquismo); a maior parte do que sabemos (ou poderemos saber) trancamos na mente, não permitindo que se manifeste. O leitor sabe por quê? Pois não gostamos de perceber como somos realmente.

Por causa da oposição ao conhecimento o ser humano arranja uma série de problemas, e depois tenta fugir deles — o que não deixa de ser mais uma atitude para evitar conhecer-se, ao conhecê- los — pois a melhor maneira de se conhecer é saber quais são as próprias dificuldades. Posso dizer que a luta contra a visão dos erros é praticamente a fuga contra o conhecimento.

A conduta de corrupção prejudicou basicamente mais o pensamento do que qualquer outro setor, mesmo porque se trata do aspecto mais nobre do ser humano — e qualquer deterioração que se faça atinge de imediato e mais profundamente o campo intelectual. De outro lado, todo e qualquer conhecimento têm seu ponto de partida sobre a consciência da corrupção; caso contrário, não será possível entender o que quer que seja, pois tudo está inundado pelo nosso estrago.

Quando o indivíduo conhece algo, é porque aceitou aquilo que está vendo no momento; de modo que o elemento de aceitação antecede o do conhecimento, pois sabemos da coisa, bem antes de o intelecto captar; tenho a impressão que a mente registra tudo perfeitamente (inclusive toda a sabedoria), e só aceita ver o que a vontade admite, como se houvesse um ponto de delimitação ao intelecto. Temos o conhecimento completo em uma região, separada de seu reconhecimento em outra, como se fosse uma parede — e essa separação é realizada pela vontade. A própria anatomia fisiológica confirma o que falo, pois o conhecimento existe no diencéfalo e a emoção no cerebelo (antes de chegar ao próprio cérebro), em forma de sentimento de amor e intuição; o elemento intelectual é o último processo que capta praticamente (a sua moda) o que irá conhecer.

A hipnose prova que existe uma multidão de conhecimentos fechados na consciência (e na intuição) e que não permitimos que chegue ao intelecto — pois, através do transe hipnótico, o indivíduo revela dados dos quais não tem idéia em sua vida diurna.

Gilles-Gaston Granger escreveu em seu livro A Razão, página 28: “O bergsonismo, a filosofia da evolução e da intuição, inaugura uma forte corrente do pensamento, que tende a reservar à razão a porção congruente num sistema, onde o sentimento e o impulso vital têm os primeiros papéis.” Notem que mais ou menos ele conseguiu colocar o intuicionismo e o sentimento como bases ao conhecimento intelectual. Se a filosofia coloca o conhecimento como o fundamento básico de todos os nossos movimentos, comete seu erro fundamental, pois, pela ordem do conhecimento, ele é o último — mesmo sendo o mais importante.

Há uma oposição entre inteligência e vontade, pois o que se aprende é geralmente algo em que o próprio querer não exerceu sua influência, permitindo que exista. Lidar com a vontade do ser humano é o mesmo que contatar “demônios”.

O homem sabe, antes de conhecer — o intelecto constitui só o final de todo um processo anterior de captação sensorial e intuitivo, que é ligado ao que sabemos sobre os Primeiros Princípios. Vamos dizer que o aspecto formal das coisas é conhecido espontaneamente, desde que tudo o que existe é trino, ou melhor, parte de uma mesma base — e depois apresenta aspectos diversos, mas sem deixar de ter o mesmo tipo de conformação.

Esse aspecto trilógico é fundamental para a mente humana (e divina), motivo que propiciou a criação. Estou falando que esse foi o segredo que Deus colocou em toda a sua ação — e que só os indivíduos que o usam conseguem também realizar. Todo indivíduo que é dócil para com a realidade caminha incrivelmente; é por essa razão que existem os chamados corpos docente e discente (o que ensina e o que aprende), baseados na palavra dócil, significando que é pela docilidade que aceitamos estabelecer contato com o que existe.

2018-08-20T19:25:36+00:00

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